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CODEVAT INTEGRA COMITIVA QUE VIAJA AO PARANÁ PARA CONHECER NOVOS MODELOS DE PRODUÇÃO DE BIOGÁS

  25 de agosto de 2021

O presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Luciano Moresco, e o conselheiro Marcos Hinrichsen acompanharam a comitiva da região que viajou ao Paraná para conhecer experiências na área de geração e transformação de biogás em energia elétrica e combustível veicular.

As visitas técnicas foram realizadas na segunda-feira, dia 23, e iniciaram na parte da manhã pela cidade de Foz do Iguaçu, sede do Centro Internacional de Energias Renováveis Biogás (CIBiogás), uma associação sem fins lucrativos, instalada no Parque Tecnológico de Itaipu. “Foi por meio de reuniões virtuais com os conselheiros do CIBiogás que articulamos nossa ida ao Paraná”, explica Moresco. “Esse Centro elabora estudos e projetos para a produção de biogás, que não é um tema novo, mas ali são desenvolvidas novas tecnologias e um novo conceito”.

A comitiva teve acesso à Unidade de Demonstração de Biogás e Biometano. A planta é a primeira do Brasil a utilizar como matéria-prima uma mistura de esgoto, restos orgânicos de restaurantes e poda de grama. Depois, o grupo recebeu informações sobre o funcionamento do Labiogás, um laboratório para ensaios de biogás e biometano, e conheceu os projetos e atividades desenvolvidas no Centro.

À tarde, o grupo se deslocou até Entre Rios do Oeste, município que abriga a primeira usina do Brasil que produz biogás a partir do tratamento de dejetos suínos. Segundo Moresco, o processo envolve a participação de 17 criadores de suínos. Em cada propriedade existe um biodigestor. O gás extraído é enviado por um gasoduto até a usina central, onde é processado por meio de geradores e produz energia elétrica que é direcionada para a rede. “Essa energia elétrica é suficiente para compensar o gasto de energia em cerca de 60 prédios públicos do município”, salienta Moresco. “Cada produtor rural também recebe um valor por metro cúbico de gás produzido, com base na quantidade de suínos alojados em cada propriedade. “Os valores têm oscilado de R$ 500 a R$ 6 mil por mês. Um produtor que possui um plantel de cinco mil animais chegou a ganhar R$ 7 mil por mês”.

O terceiro compromisso foi em Ouro Verde do Oeste. Ali, a comitiva recebeu informações sobre o modelo de parceria público-privada entre o município e a EnerDinBo, empresa que faz o recolhimento diário de dejetos suínos em 40 propriedades que, no total, alojam cerca de 100 mil animais. “O dejeto in natura é retirado da propriedade e levado aos processadores, com capacidade de produzir energia para abastecer uma cidade de quatro mil habitantes”, comenta Moresco.

Para o presidente do Codevat, esse modelo de parceria público-privada deverá servir de base para um projeto-piloto no Vale do Taquari. “Talvez comece por Encantado, pelo interesse demonstrado pela atual gestão,  mas a nossa ideia é replicar para toda a região, desde que haja viabilidade econômica”, disse. “Muitos municípios do Vale já enfrentam dificuldade em ampliar seus planteis de suínos, pois o volume de dejeto produzido nas criações atuais encontra limite nas áreas para ser aplicado. Um dos principais objetivos é transformar esse limitador ambiental, que é o dejeto suíno na forma que é processado nos últimos anos, em um ativo econômico e permitir a ampliação da atividade suinícola dando a melhor destinação ao dejeto suíno, permitindo a geração de renda e riqueza para quem se envolve no processo onde todos ganham, o meio ambiente, os produtores e o município com o maior retorno de tributos”.

Repercussões

O prefeito de Encantado, Jonas Calvi, avalia como produtiva a viagem, uma vez que oportunizou o conhecimento de novas tecnologias e produtos que poderão ser inseridos na produção de suínos local. “Sempre falamos que Encantado precisa voltar a ser a Capital do Ouro Branco, como foi no passado, quando a produção era uma das maiores do Estado. Temos esse desafio de aumentar a produção, porém, isso traz a preocupação com o meio ambiente. Por isso, queremos transformar os dejetos para que possam trazer renda também para os agricultores”, argumenta.

O tesoureiro do Codevat e representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, Marcos Hinrichsen, salienta que as experiências encontradas no Paraná vêm ao encontro da realidade existente no Vale do Taquari. “É um modelo autossustentável. Esperamos que de fato a gente consiga implantar algo parecido na região. A questão dos dejetos, muitas vezes, fica em segundo plano, pois o produtor integrado faz investimentos altos na estrutura do empreendimento. Ele também não pode arcar com tudo”, avalia.

Comitiva

Além dos integrantes do Codevat e do prefeito de Encantado, o grupo que viajou ao Paraná contou com a presença do supervisor regional da Emater, Cezar Burile; vereador de Encantado, Roberto Salton; diretor da empresa BSW Ambiental, Daniel Schmitz; responsável pelo setor de meio ambiente da cooperativa Dália Alimentos, Graziela Botega; servidora da secretaria da Agricultura de Encantado, Angelica Sfoglia, e os servidores do Departamento de Inovação e Desenvolvimento da Prefeitura de Encantado, Gustavo Radaelli e Roberto Pretto.